Integridade x Integralidade

Vou iniciar essa postagem fazendo uma provocação. Você se acha uma pessoa íntegra? Muitos dirão que sim, mas será que são mesmo?

De acordo com o dicionário, uma das definições de integridade é:

“Condição de inteiro, do que não foi alvo de diminuição; inteireza. Característica do que não sofreu alteração, do que não foi quebrado nem atingido; ileso”

Etimologicamente, “íntegro” vem da junção da partícula de negação in- com o verbo latino tangere (tocar). Literalmente: aquilo que não foi tocado e, por extensão, algo que se manteve inteiro, intacto, completo.

É curioso notar que “integral” compartilha essa mesma raiz, carregando o sentido de “o estado de ser inteiro e indiviso”, mas nem sempre se conecta com a definição mais comum de integridade como honestidade e princípios morais. Essa tensão entre os significados já nos convida a refletir melhor sobre isso.

Integridade no sentido Integral da palavra

Me pergunto: o que seria então, ser íntegro olhando para mim como um “Ser Integral”? Como ser íntegro sabendo que meu ser é integrativo, ou seja, integra em mim traços da minha família, raça, cultura e até mesmo da espécie?

Gosto muito do uso que Elio D’Anna faz da palavra no livro A Escola dos Deuses. Para ele, integridade é um estado de inteireza e o ponto de partida para a evolução humana, aquilo que liberta o indivíduo da mediocridade, do medo e dos conflitos.

Os pilares que ele propõe são:

Fim da fragmentação: A integridade exige harmonizar mente e alma, unindo opostos como ação e contemplação, economia e ética. Tornar-se “inteiro” para deixar de viver de forma mecânica.

Revolução individual: A mudança verdadeira não ocorre no mundo exterior. A integridade nasce de uma reforma interior e da reconexão com os sonhos essenciais.

Autoria da realidade: Viver com integridade significa assumir 100% de responsabilidade pela própria vida, eliminando a vitimização e assumindo a autoria da sua própria realidade.

Os Sonhos como uma Expressão de Integridade

Essa palavra ficou muito na minha mente desde que li o livro A escola dos Deuses. É muito forte a mensagem de Elio D’Anna, que diz que você deve ser íntegro aos seus sonhos, não se perder no comum, na vastidão das coisas e na mesmice. 

Tenho me esforçado muito para não desistir dos meus sonhos, para não me perder e esquecer de mim. Quanto mais eu me aprofundo no meu ser, percebo o quanto eu estou desconectado dele. Da paz que está em mim, quando silencio os ecos dos pensamentos, medos e desejos.

Integridade me faz lembrar desses sonhos, lá do fundo, há algum tempo guardados, ou melhor, escondido no porão da minha consciência, por tantas vezes que olhei para eles e busquei realizá-los e essa busca me trouxe muitos sofrimentos.  Sempre que penso e reflito sobre essa palavra, uma fagulha de energia me esquenta e me lembro que tenho que continuar a caminhada, acolher essas dores do passado e poder olhar para meus sonhos novamente e decidir que ainda continuarei caminhando ao seu encontro.

Praticando essa Integridade

Uma prática que aprendi, simples, mas muito poderosa é ir se perguntando:

Quem sou eu? Aí eu respondo. E me pergunto novamente, ok eu sou isso, mas além disso, quem mais eu sou?

Por exemplo:

Quem sou eu? Eu sou o pai do Victor!
Ok, eu sou pai, mas além do pai quem mais eu sou? Eu também sou filho!
Ok, eu sou filho, mas além filho, quem mais eu sou? …

Essa prática pode fazer você se relembrar do que você já foi e sonhou um dia e quem sabe com o tempo trazer outros tipos de lembranças de um lugar muito mais distante e que lhe traga outros sonhos até então inimaginados.

Expansão da Consciência e a Integridade

Então o conceito de integridade vai mudando de acordo com o quanto eu expando a minha consciência do que eu sou. Eu como filho de Antônia e Eudes, me mantenho íntegro ao meu sistema familiar quando ajo de acordo com pensamentos e crenças do meu sistema familiar. Mas quando expando meu Eu para a dimensão de que sou recifense, com a cultura do maracatu, do frevo, do Sport Club do Recife, e vou indo além, me reconhecendo como brasileiro, vivendo num país tropical, colonizado pelos portugueses vou englobando outros aspectos e crenças. Posso ir expandido minha consciência, onde essa inteireza não exclui nada, só inclui, me integrando a tudo que existe como parte do Kosmos.

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